segunda-feira, 29 de maio de 2017

Espero.



Por Vitalina de Assis.




Tem dias em que acordo com a ansiedade sufocando-me em um abraço que insiste em não soltar, tento ficar serena, tento convencê-la a dar-me um tempo, tento dialogar, quem sabe assim, compreende meu desassossego e me solte por inteiro, ainda que por segundos. A tirana não me solta, finge amar-me e se diz feliz por possuir-me.

Por onde anda o amor? Não me completo e como posso na incompletude, completar o que quer que seja? Penso no destino... e na curva na qual diviso-o  mudar de lado. Poderias deixar de ser tão inconstante e paralisar-se um pouco?  Não! Um pouco não! Já fizestes isto em outra ocasião e quando pensei assentar-me na felicidade, levantou-se e seguiu adiante tão ligeiro que perdi seu rastro e me encontro no vácuo de emoções sentidas das quais a desmemoria, não se ocupa.

Que faço então? Respiro e dou conta de que estou viva e gritos silenciosos se fazem audíveis, no silêncio da minha alma.
Tenho ânsias de punir objeto de minha dor, angústia, ansiedade ou mesmo uma ausência, entretanto, punida estou.

Talvez não tenha um corpo, talvez não tenha um rosto, talvez nunca tenha sido real. Ou talvez seja um corpo, seja um rosto, seja real... em outro tempo, em outra vida, em um sonho qualquer. 

Vens sobriedade possuir-me disfarçadamente, aproxima-te da ansiedade, faz-lhe um afago, se ofereça em amores.  Ansiedade flerta e aceita a corte. Sinto afrouxar sua pressão sobre mim, sobriedade assume meus medos e angústias discursa calmaria.

Vejo luz, aquieta minhas entranhas.
Outra face – esperança sorri. Sorrio. Compreendo. Espero novamente. Imponho certeza. Espero.